entrego o meu corpo ao mar
e às pálpebras de um sol inacabado
vejo-me sucumbir ao mais ínfimo desígnio

acorrentado aos gestos marinhos
o coração tenta pulsar
num último fôlego, por entre as asas de renda,
recortadas da espuma branca
e eis que sinto as escamas que se desenham
esboço de um lumiar de memórias inóspitas  
tatuagens dos segredos partilhados junto ao mar

e enquanto os esquivos de água lavam a saudade
restos de momentos vagueiam no olhar

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